por vezes faço-me a mesma pergunta ... o que queres de mim?
terça-feira, 29 de junho de 2010
segunda-feira, 28 de junho de 2010
hoje acordei a pensar em ti ...

… no que fomos, no que vivemos, naquilo em que nos tornámos. Vi a pessoa por quem um dia me apaixonei, com os mesmos olhos com que um dia a amara. Lá estavam todos os pormenores, todas aquelas qualidades que aos olhos inocentes de quem gosta parecem sempre fascinantes, todos aqueles grandes obstáculos, que aos olhos de quem ama, parecem sempre pequenos. Fechei os olhos… para recordar o teu colo, onde me aninhava como um botão de rosa, senti a tua mão a acariciar-me os anéis do cabelo, os teus lábios macios a deslizar sobre a minha pele e ali ficava eu com as pétalas ao vento. Voltei a sentir tudo o que sentia quando me abraçavas – aquela sensação de que o mundo podia ruir lá fora que nada atormentaria o nosso amor aqui dentro. Hoje acordei a pensar em ti… nos teus hábitos, nas tuas rotinas que conheço de olhos vendados, a forma como saltas da cama, como fazes a barba, como retires as gotas de água da tua pele macia, a forma como te moves para vestir o teu corpo, o ritual da torrada molhada no leite, a forma como me beijavas ao dizer «-Bom dia!». Hoje acordei a pensar em ti… nos pequenos nadas que se tornaram diferenças colossais entre nós, nas pequenas insignificâncias que de tão pequenas que foram, minaram toda a grandeza de um grande amor. O que faríamos se o ponteiro do relógio voltasse atrás? Até onde o faríamos recuar? Quais os momentos que apagaríamos, quais aqueles que viveríamos mais intensamente? Quais os momentos que deixámos por viver? Olho para o meu relógio que marca um tempo tão distante do nosso tempo, esqueço-me dos minutos, dos segundos, deveres e compromissos. Fecho novamente os olhos… volto a ser um botão de rosa, hoje sem cor, sem brilho, amachucada pelos dias insanos e voo até ti para me aninhar e proteger no colo ...
domingo, 27 de junho de 2010
amar ...
Eu quero amar, amar perdidamente!
Amar só por amar: aqui... além...
Mais Este e Aquele, o Outro e toda a gente...
Amar! Amar! E não amar ninguém!
Recordar? Esquecer? Indiferente!...
Prender ou desprender? É mal? É bem?
Quem disser que se pode amar alguém
Durante a vida inteira é porque mente!
Há uma primavera em cada vida:
É preciso cantá-la assim florida,
Pois se Deus nos deu voz, foi pra cantar!
E se um dia hei-de ser pó, cinza e nada
Que seja a minha noite uma alvorada,
Que me saiba perder... pra me encontrar...
Florbela Espanca
sábado, 26 de junho de 2010
uprising!
The paranoia is in bloom, the PR
The transmissions will resume
They'll try to push drugs
Keep us all dumbed down and hope that
We will never see the truth around
(So come on)
Another promise, another scene, another
A package not to keep us trapped in greed
With all the green belts wrapped around our minds
...and endless red tape to keep the truth confined
(So come on)
They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
And we will be victorious
(So come on)
Interchanging mind-control come let the
Revolution take its toll if you could
Flick the switch and open your third eye, you'd see that
We should never be afraid to die
(So come on)
Rise up and take the power back, it's time that
The fat cats had a heart attack, you know that
Their time is coming to an end, we have to
Unify and watch our flag ascend
(So come on)
They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
And we will be victorious
(So come on)
They will not force us
They will stop degrading us
They will not control us
And we will be victorious
sexta-feira, 25 de junho de 2010
quinta-feira, 24 de junho de 2010
domingo, 20 de junho de 2010
Cântico Negro
"Vem por aqui" — dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se levantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
— Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?
Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.
Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...
Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.
Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se levantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!
José Régio
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